Trinta anos de lutas feministas na América Latina: conquistas, articulação e resistências

Como se transforma uma sociedade que durante séculos tratou a violência contra as mulheres como um assunto privado, sem nome e sem responsáveis?
A trinta anos da Plataforma de Ação de Beijing, a publicação “A luta contra as violências tem história. As resistências feministas também. Linha do Tempo: Panorama Latino-Americano 30 anos pós Beijing” reconstrói esse processo: como o movimento feminista latino-americano conseguiu converter o que era invisível em uma prioridade das agendas públicas, e o que era tolerado em uma violação de direitos humanos com responsáveis concretos.
A partir da análise de 21 países da região, a pesquisa de Analba Brazão e Schuma Schumaher demonstra que esses avanços não foram lineares nem espontâneos. São o resultado de décadas de organização feminista, articulação regional, produção de conhecimento e incidência política sustentada.

Linha do tempo: memória, lutas e incidência feminista no pós-Beijing

Trinta anos após Beijing, há uma pergunta que continua atual: o que, de tudo o que foi conquistado, permanece, e o que ainda está em disputa? Esta linha do tempo percorre as últimas quatro décadas de memória, lutas e ação feminista na América Latina e no Caribe, em torno de um eixo que atravessa a vida das mulheres em toda a sua diversidade na região: as violências de gênero. Essa trajetória é também um exercício de memória ativa: reconhecer quem abriu caminho, valorizar o que foi conquistado e, ao mesmo tempo, repensar os desafios que hoje representam o avanço do conservadorismo e o enfraquecimento de direitos que pareciam conquistados.

A 30 anos de Beijing: repensar as violências para transformar tudo

Trinta anos depois da IV Conferência Mundial da Mulher (Pequim, 1995), foram criadas leis de enfrentamento à violência contra as mulheres em quase todos os países da América Latina e do Caribe. Também foram criados ministérios, organismos de políticas para as mulheres, protocolos de atendimento para mulheres em situação de violência, campanhas institucionais. Além disso, essa problemática passou a ser muito mais difundida na sociedade. Apesar disso tudo, a violência contra as mulheres não cede. Por quê?

Essa pergunta atravessa o documento analítico e conceitual elaborado por Gina Vargas, Maria Betânia Ávila e Natália Cordeiro, que revisa três décadas de avanços, contradições e retrocessos na luta feminista contra a violência contra as mulheres na região. O texto apresenta uma análise crítica sobre a complexidade da questão e sobre a percepção reducionista de que a promulgação de leis é única alternativa para enfrentar a violência contra as mulheres.